Skip to content

Vida Canadense

  • Imigração
  • Nossa Vida

Como tirar a carta de motorista canadense

28 de junho de 2020 by Anderson dos Santos

Aqui o processo para tirar uma driver’s licence (carteira de motorista canadense) para veículos de passeio tem 3 etapas. Primeiro é preciso fazer um teste teórico para adquirir a G1 e ter o direito de aprender a dirigir acompanhado de um motorista experiente ou instrutor. Depois de 12 meses (ou 8 se fizer um curso numa auto-escola credenciada) você pode fazer o teste de rua para receber a G2, que dá direito a dirigir sozinho com algumas restrições (como por exemplo, você não pode dirigir em algumas rodovias e não pode ter nada de etanol no sangue). Após mais 12 meses de prática com a G2, podemos finalmente fazer outro teste de rua e se passarmos receberemos a carteira definitiva (full licence) G. Ou seja, o processo completo vai durar pelo menos 20 meses.

Porém, quem possui experiência dirigindo em outro país não precisa esperar todo esse tempo, se preencher certos requisitos, como ter uma carteira válida há pelo menos 2 anos. Aí que entra o nosso caso, já que eu dirijo há 25 anos e a Tati há 12.

Resumindo rapidamente, chegamos no Canadá no dia 18 de dezembro de 2019 e eu já sabia que a CNH brasileira nos permitiria dirigir por 90 dias a partir da data de chegada no Canadá, ou seja, eu poderia dirigir automóveis com ela até o dia 16 de março de 2020. Então, já que nosso visto expira em dezembro de 2021, eu achei melhor tirar o quanto antes a driver’s licence de Ontário.

Então, neste post, vou explicar o passo-a-passo do que eu fiz.

1. Extrato dos pontos da CNH

Como minha CNH é do estado de São Paulo, eu acessei o site do DETRAN-SP e tirei o extrato de pontos online daqui do Canadá e imprimi. Eu sei que muitos estados não permitem tirar o extrato de pontos online, então se este for o seu caso, antes de embarcar para o Canadá, tire o extrato de pontos ainda no Brasil no escritório do Detran mais próximo.

2. Cópias autenticadas do CNH e do Passaporte

Aqui em Sarnia-ON eu me dirigi até o escritório da congressista Marilyn Gladu, representante do condado de Lambton no parlamento canadense. Lá é possível tirar as cópias dos documentos e há serviço de tabelionato, tudo gratuito. É um dos vários serviços da congressista para os moradores do nosso condado. O escritório fica na 1000 Finch Drive.

3. Envio dos documentos para o Consulado

De posse do extrato de pontos da CNH e com as cópias autenticadas, me dirigi até a agência dos correios canadense, o Canada Post, e enviei tudo para o Consulado Brasileiro em Toronto, para validação da minha CNH. A legalização do documento demora 10 dias úteis e custa CAD$22.50. Veja as instruções de como pegar esse documento no site do Consulado Brasileiro em Toronto. Pegue esse documento antes de dar entrada para fazer o teste teórico da G1.

No meu caso, o consulado me ligou no dia 30 de dezembro de 2019 por uma peculiaridade: meu extrato de pontos da CNH estava no limite de 20 pontos (devo ter cometidos algumas infrações de velocidade no Brasil) e eles pediram que eu enviasse um extrato do dia 30 só para ver se eu não tinha estourado os pontos nos últimos dias antes da viagem. Mandei por e-mail mesmo. No dia 08 de janeiro de 2020 chegou a validação. Ufa!

4. Prova da G1

Depois que eu postei os documentos para o consulado, comecei a estudar para a prova teórica e poder tirar a minha G1. Baixei o app G1 Genius Ontario (tem para IOS ou Android) com simulados para a driver’s licence, e fiz todos os simulados disponíveis, pelo menos um por dia. No dia 14 de janeiro fui no Drive Test Centre de Sarnia para marcar a prova e ao chegar lá paguei CAD$105,75 (que poderia ser em dinheiro, cartão, money order, travel cheque ou certified cheque). Tirei foto, fiz o exame de vista lá mesmo, a atendente me perguntou seu eu queria fazer a prova em português (descobri lá essa informação: a prova teórica está disponível em 20 idiomas, inclusive em português de Portugal). Falei que tinha estudado em inglês e resolvi fazer em inglês mesmo. Ela perguntou de novo, confirmei que faria em inglês e disse para para eu me dirigir ao computador 3 e começar a fazer a prova.

Como assim!? Já!? Fui lá, respirei fundo e fiz a prova. As perguntas eram quase iguais as dos simulados no app. São no total 40 questões, divididas em duas partes: 20 de placas e sinalização e 20 de regras de trânsito. Você pode errar no máximo 4 questões em cada parte. Se errar cinco ou mais de uma das partes, você tem que pagar de novo e para fazer uma nova prova. Descobri isso, porque tinha um garoto que fez três vezes a prova teórica no dia: quando ele reprovou a primeira vez, ele fez cara de chateado, a mãe dele pagou de novo, ele foi fazer a prova pela segunda vez. Alguns minutos depois, ele reprovou de novo e a mãe dele pagou mais uma vez. Quando ele passou, foi só alegria, no estilo canadense, mas ficamos todos felizes por ele.

Sendo aprovado, você já pega a sua G1 provisória lá no Drive Test Centre mesmo e com os documentos do consulado você levou, já pede para marcar a prova prática para a G2, que não tem teste de rodovia e dura uns 15 minutos, ou para a G, essa tem e dura uns 20 minutos.

Me sentindo o cara, marquei logo a G. Mas a moça me avisou: se eu reprovasse na prova G eu teria só direito de fazer a prova para a G um ano depois que eu tivesse a G2. Ou seja, se reprovasse na G, só me sobraria a G2 por no mínimo um ano. Marcamos a prova para um mês depois, em 14 de fevereiro de 2020.

A Driver’s License G1 basicamente funciona como documento de identidade. A partir do dia que chegasse em casa a minha definitiva, eu não precisava mais ficar portando o passaporte. Para dirigir, precisaria sempre de alguém com driver’s license G do meu lado (ou no caso, a Tati com a CNH brasileira, já que ela iria começar a tirar a driver’s license dela quando chegasse a minha G ou G2), mas dirigir sozinho não poderia mais. E a minha CNH brasileira não tinha mais validade.

5. Aulas de direção

Eu já dirigia há 25 anos e, confesso, tinha uma série de vícios pelo excesso de confiança na direção. Tinha sim, multas por velocidade, mas nunca estive em um acidente de trânsito ou fui pego em comando (blitz) de lei seca. Por ter consciência disso, fiz duas aulas de direção, com espaçamento de duas semanas entre elas. Contratei uma instrutora brasileira para a aula e foi bem interessante que ela apontou vários erros que me fariam ser reprovados na prova prática para a driver’s licence G. A prova tem mais de 90 pontos a serem avaliados; é muita coisa! Nas duas semanas seguintes, dirigi observando todos os meus vícios brasileiros. Na segunda aula ela me disse que se fosse como na aula eu passaria de boa. Fiquei feliz e treinei mais um bocado o trajeto para o dia da prova.

6. A prova prática

No dia da prova estava nevando. Parece que muitas coisas na minha vida não são para ser fáceis. Pode ser uma crença limitante, mas parece que para os outros as coisas são mais fáceis ou eles vendem uma pílula mais dourada do que ela realmente é para gente (descobri algumas pessoas assim por aqui).

Aluguei um carro para fazer a prova e busquei a Tati no Lambton College. Chegamos meia hora antes da prova prática no Drive Test Centre, me apresentei enquanto a Tati ficou almoçando no carro. Dois colegas brasileiros me disseram que são dois avaliadores em Sarnia: o carequinha bonzinho e a temida loira. Adivinha quem eu peguei para me avaliar? A temida loira. Se era pra ser assim, que fosse.

Ela se apresentou pra mim, me perguntou onde estava o carro, disse que no estacionamento, perguntou se eu tinha vindo sozinho, disse que minha esposa estava comigo e ela foi lá conferir. Pediu para a Tati entrar no Drive Test Centre. Verificou as luzes de setas, freio e faróis, entrou no carro e abriu o tablet. Perguntou quantas vezes eu entrei na Highway e foram dezoito (é bom ter seu número de vezes na ponta da língua).

A prova iniciou. Não esqueci nenhuma seta, nenhum check shoulder e não rolei em nenhuma placa de stop. Caprichei na baliza, no emergency stop e 3 point turns. Entrei na primeira highway e na pista de aceleração fui até os 100 km/h como na aula e entrei. Mudei de faixas, saí da highway e na próxima estrada tinha que entrar a 80 km/h. Voltei pra cidade, estacionei no Drive Test Centre. A temida loira me deu os parabéns. Passei. Tinha agora a Driver’s License G.

Basicamente foi assim o processo para chegar até a carteira canadense. Foram quase dois meses todo o processo. Qualquer dúvida, pode deixar nos comentários abaixo.

Post navigation

Previous Post:

Três fatores-chave que fazem diferença no EE

Next Post:

Douradores de pílulas

Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve."

Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas
© 2026 Vida Canadense | Built using WordPress and SuperbThemes