Malu chegou!
Finalmente chegou a hora. 19 de agosto de 2020, 8h40 da manhã, Sarnia – ON. Um filme passou pela cabeça com a retrospectiva até ali.
Depois da Páscoa do Leo em 03 de maio de 2019, chegar ao final de 2019 com a notícia de que a Tati estava grávida de novo e que tínhamos acabado de chegar no Canadá, teve o impacto de uma ogiva nuclear em nossas vidas. Fizemos todas as contas de quando que aconteceu a concepção e nada batia. Bom, só uma certeza: quando Deus quer, nada segura.
No começo do ano, janeiro de 2020, descobrimos que o seguro-saúde do College não cobriria os custos do parto por ter sido um evento pré-início do College. OK, a gente suspeitava disso, então fomos aos exames pré-natal e descobrir como funciona o parto no Canadá e quanto custaria todo o procedimento, já que não estávamos inclusos no sistema público de saúde da província.
Na primeira consulta, a profissional perguntou se queríamos ter o bebê. Foi muito estranho. Como o Canadá é um país que o aborto é permitido, a gente ficou meio incrédulo com a pergunta, porque era óbvio que teríamos.
Após esse primeiro contato com o sistema de saúde, fomos encaminhados para a midwife (profissional de saúde que que ajuda mulheres saudáveis durante o trabalho de parto, o parto e após o nascimento do bebê, o equivalente à nossa parteira) e a Tati começou a tomar ácido fólico e outras vitaminas.
Conversamos com a midwife, mas fomos encaminhados para um obstetra porque a Tati vinha de duas cesarianas, a última tinha sido feita há menos de 3 anos e um parto normal não poderia ser feito por ela, o que custaria, se fosse o caso, entre CAD$2 mil e CAD$5 mil
No obstetra confirmamos que seria um parto cesariana, que não é muito comum no Canadá, e que por ser uma cirurgia extensa, custaria de CAD$25 mil a CAD$35 mil, inclusos o parto e 2 ou 3 dias de internação no hospital. Caramba! A gente já veio com dinheiro contado, poderíamos dar um jeito em último caso, mas resolvemos estudar o OHIP (saiba mais aqui) de cabo a rabo, para entrar no sistema público de saúde da província.
Depois de ver todos os requisitos para entrar no OHIP, conseguir um emprego full-time, por uma inacreditável conspiração divina que também chamo de ICI, índice de coincidências incríveis, a pandemia de COVID-19 se agravou e conseguimos entrar no OHIP um mês após o início do meu trabalho, em maio de 2020. Quando a secretária do obstetra soube, ela quase se chorou de emoção, porque ela estava super apreensiva com a nossa situação.
Entramos no último trimestre. Agora todas as consultas eram cobertas pelo OHIP, o baby shower da Malu foi simples mas bonito, a Tati fez seu ensaio de gestante e terminava as provas do segundo termo do College. Devagarinho tudo ia se encaixando e acontecendo.
As provas da Tati terminariam dia 18 de agosto de 2020 e marcamos o parto para o dia seguinte. Na madrugada do dia 19 saímos cedinho de casa, deixamos o Gui com amigos e partimos para o hospital ainda de madrugada, antes das 6 da manhã.
8h20 estávamos no centro cirúrgico, a equipe foi toda apresentada, preparei meu celular para tirar algumas fotos e gravar alguma coisa. 8h40 a Malu nasceu. 53 cm e 3.589 kg. O choro da Malu fez verter lágrimas que estavam represadas nos meus olhos desde 1º de maio de 2019, quando o Leo nasceu e não chorou. O barulho do choro, que tanto esperei naquele dia, finalmente veio. Desabei. De alegria, mas desabei.
Diferente do Brasil que levam o bebê para o banho de luz, enrolaram a Malu em um cobertor e entregaram ela pra mim. Não sabia o que fazer com um bebê recém-nascido no meu colo e me levaram para o quarto, enquanto a cesariana da Tati era finalizada.
Malu chegou. Maria Luiza Arcari dos Santos, nossa bebê arco-íris. A primeira de nós a ser canadense. A primeira neta de meus pais, depois de uma família cheia de homens. Bem-vinda, Malu! A gente te ama demais!